domingo, 18 de março de 2012

Duff McKagan no Hall of Fame: “Eu estarei lá”

Tradução da entrevista do Duff, feita por Andy Greene [Rolling Stone]:
Duff McKagan tocando durante o primeiro dia do Download Festival em Donington Park, Reino Unido

Há tempos que Duff McKagan não tem certeza sobre o momento. Ele não sabe o que irá acontecer quando o Guns N’ Roses for introduzido ao Rock and Roll Hall of Fame no próximo mês. Ele não sabe quando (ou se) o Velvet Revolver será reformulado, e certamente não sabe quem será o vocal da banda se isso acontecer. “Eu penso que na minha carreira eu nunca sei o que irá acontecer daqui dois meses”, diz McKagan. “Eu não sei o que eu vou fazer em julho, ou mesmo junho. Qualquer coisa pode acontecer. Eu estou bem com qualquer coisa”.
Em dezembro Duff dividiu o palco com seu ex-colega de banda Axl Rose em dois shows, Seattle e Vancouver, e então um mês depois se reuniu com o Velvet Revolver, em Los Angeles, num concerto beneficente. Nós recentemente conversamos com McKagan sobre tudo isto, bem como o lançamento de sua autobiografia It’s So Easy: and Other Lies em formato de livro de bolso, que será lançada em 20 de março.


O que o levou a escrever este livro?
Há alguns anos atrás o [jornal] Seattle Weekly me ofereceu uma coluna semanal. Eu fiquei meio apavorado. Cerca de 3 semanas depois eu percebi que poderia articular meus pensamentos em palavras escritas muito melhor do que eu poderia falar. Eu poderia organizar realmente o que eu estava pensando. Poucos meses depois me foi oferecido uma coluna financeira na Playboy. De repente, eu tinha duas colunas semanais e dois prazos, então eu estava escrevendo toneladas. Eu comecei a escrever outras coisas que não eram exatamente para minhas colunas. Eu escrevi uma carta de agradecimento aos meus sete irmãos mais velhos. Eu tenho a mais antiga de meu irmão John, e eu o agradeci por ser nosso patriarca e trazer a mãe para o hospital. E isto me parou, nessa frase bem aí. Nossa mãe tinha Parkinson e isso me levou para essa coisa totalmente diferente, e eu comecei a escrever sobre isso. Eu estava lidando com as coisas, imaginando qual parte estava minha vida.

O que eu achei é que nós estamos acelerando ao longo da vida e no espelho retrovisor do lado esquerdo você vê toda a merda ruim, que é tudo o que falta na porra do outro lado. Todas as coisas boas, no outro espelho retrovisor, é tudo de bom – que você tinha a fazer. Eu estou sendo simplista, mas você sabe o que eu quero dizer. Eu comecei a mergulhar nisso tudo. Como eu vim parar aqui? Qual é a história real? Eu sou um pai e sou melhor tendo tudo em minha vista. A escrita realmente me ajudou com tudo isto. Eu escrevi duas vezes mais palavras do que as que estão no livro. Algumas delas você não gostaria de ler. Mas a história começou a vir à tona quando eu comecei a escrever e eu realmente gostei da idéia toda.
Há algumas partes de seu passado que você não consegue se lembrar, ou são somente lembranças embaçadas?
Sim. Toneladas delas. Então eu não escrevi sobre as coisas que eu não me lembrava. Eu experimentei tentar lembrar de algumas coisas para escrever, mas não pude. Eu não queria adivinhar ou pegar algumas datas que eu encontrei na Internet e tentar escrever sobre isso. Isto teria um sentido hipócrita. Eu escrevi sobre as coisas que eu lembrei, e tentei trazer ao leitor a loucura do vício. Pensamentos e dias começam a se misturar e você não sabe onde diabos você está. Eu não sei se eu fui bem sucedido nisto, mas tentei.

Você acha que os dependentes químicos se beneficiam ao ler o livro, porque eles vêem que há uma saída?
Esta não foi a minha missão declarada. Mas desde que o livro foi lançado, eu notei que há um monte de coisas desse tipo. “Bem, se o Duff pode fazer isso. Olha o quão ruim ele estava. Ele tem filhos e parece estar saudável”. É verdade, cara. Se eu consegui fazer isso, qualquer outra pessoa pode fazer isso. Eu gradualmente me tornei o pior dos piores.

A memória é sempre uma coisa doida.  Eu tenho certeza de que se eu falasse com você e Slash a respeito de um mesmo evento, eu conseguiria histórias totalmente diferentes. Você lidou com isso ao escrever o livro?
Sim. Eu coloquei uma coisa no início do livro. Eu disse: “Para as pessoas que estavam lá, você pode se lembrar disto de maneira diferente”. Isto é da natureza humana, eu acho. Slash e eu estávamos sentados um do lado do outro em diversas daquelas trajetórias. Tem hora que nós lembramos de coisas completamente diferentes. Às vezes ele não se lembra de algo que eu lembro ou vice versa. Esta é uma discussão totalmente diferente, do porque nós preservamos certas coisas... especialmente quando você está fudido.

Durante o processo de escrita, você chegou a pensar: “Oh, eu não posso escrever isto. Vou chatear Axl ou Slash...”
Eu fui cuidadoso quando a isto. Esta não é necessariamente a história deles, então porque atirar alguém debaixo de um ônibus? Eles não me pediram pra escrever uma história sobre eles, ou minha ex-esposa não me pediu para escrever sobre ela. Meu ponto era realmente assumir a responsabilidade sobre as minhas falhas. Eu tentei não trazer mais alguém para dentro disto. Eu continuei escrevendo minhas passagens e tentando me certificar de que não havia nenhum tom agressivo passivo. Ao final do dia, não se lê muito bem.

É interessante que nestes últimos meses você tocou em shows com Axl Rose e Scott Weiland.
Sim. Eu meio que me sinto amadurecido. Eu não tenho ressentimentos em relação a qualquer um que eu já tenha tocado, ou aquele cara que me intimidava na 6ª série. Eu lidei com isso. Mas o que toquei com Scott foi algo maior do que todos nós. Foi uma coisa óbvia. A coisa com o Axl... cara, nós tivemos vários bons momentos juntos. Nós crescemos juntos naqueles tempos de formação, sendo jovens homens sob circunstancias muito extraordinárias. Realmente apenas os 5 caras da banda original sabem como era... até mesmo minha esposa, eu não consigo explicar isso á ela. Eu não poderia escrever sobre isso naquele livro. Eu não sou tão bom escritor.

Foi estranho ser chamado para ser banda de abertura do Guns N’ Roses meses atrás?
Eu realmente não vi isso como qualquer coisa além da chance de tocar em alguns shows com meu velho amigo. Um [show] foi em minha cidade natal, Seattle, e o outro [show] foi em Vancouver. Era um negócio de bem-estar. Não foi como o Judas Priest chamando [minha banda] Loaded para abrir alguns shows. Isto foi totalmente diferente.

Você irá para Cleveland no próximo mês, para o Rock and Roll Hall of Fame. Você sabe o que irá acontecer?
Eu não. Eu sei que estou indo. Eu não posso falar pelos outros, afinal. E eu não farei isso. Eu vou estar lá com os sinos. O Rock and Roll Hall of Fame é importante para mim? Não. É algo que eu aspirava? Não. Não é um esporte. Você estar no Baseball Hall of Fame, isto é foda. Mas é um esporte competitivo. Você tem status. Olha, nós éramos uma boa banda – mas havia muitas boas bandas. Muitas pessoas gostaram de nossa banda, eventualmente. E isto é foda.
O que eu descobri quando nós fomos nomeados foi que há uma tonelada de fãs ao redor do mundo que realmente estão empolgados. Neste caso, é mais sobre eles e as pessoas que acreditaram em nós, compraram nossos discos, vieram e nos assistiram. Imagina isso? Todas estas pessoas acreditando em nossa banda – algo que críamos a partir do ar. Essa parte é uma honra. O Rock and Roll Hall of Fame como uma instituição? Eu realmente não sei muito sobre isso.

Você tem esperança de que a banda vá se reunir e tocar?
Penso que isto seria matador. Eu espero por isso? Esta é uma questão complicada. Seria incrível. Você tem esses devaneios como “nós vamos lá e tocaremos ‘Nightrain’ e ‘[Mr.] Brownstone’, derrubar o microfone e cair fora. Isto será arrasador!” Mas eu duvido que isto aconteça.

Por quê?
Não houve nenhuma comunicação sobre alguém tocar. Provavelmente houve um dia no meio dos anos ’90 onde eu tentaria reunir a tropa, mas eu não sou mais esse cara. É muito frustrante mudar uma outra pessoa... Eu nem sei se eu gostaria de mudar a forma como outra pessoa vê uma situação. Mas eu estou indo.

Eu ouvi que o Axl irá. Você acha que o Izzy vai?
Eu não sei. Você deveria perguntar a ele. Seria ótimo se Izzy fosse, mas eu realmente não sei. Eu não sei se ele está em todo esse tipo de coisa com câmeras e todas essas coisas.

E o negócio com o Velvet Revolver? Alguns fãs estão otimistas de que o Scott pode retornar, porque vocês tocaram juntos em um show.
Não. Nós apenas fizemos isso pelo nosso amigo que faleceu, sua esposa e seus filhos. Eu ficaria surpreso... você sabe o que? Eu nem quero tentar adivinhar mais. Quem sabe o que irá acontecer? Eu estou bem com qualquer coisa, e se isto fizer sentido em algum momento, isto será a coisa a ser feita e então nós conversaremos sobre isto.

Você acha que o Velvet Revolver tem um futuro?
Eu espero que sim. Éramos uma banda de composições boas e era uma coisa real no palco.

É verdade os rumores de que em algum momento vocês conversaram com Corey Taylor do Slipknot para se juntar a banda?
Sim.  Quando você é um músico, você está rodeado por vários deles, como Slipknot e Alice in Chains... você nomeia a banda. Todos nós somos meio que amigos. A coisa sobre o Corey veio à tona. Se você me perguntar, eu acho que Corey é o melhor cantor de sua geração, que é cerca de 8 anos mais nova do que eu. Ele é o melhor cantor em sua categoria e sabe explorar isto. E ainda pode acontecer um dia. Este cara está em, sei lá, quinze bandas. Mas ele é foda e o negócio real chegará ao lugar certo com ele.
Eu não tenho nada além de coisas boas para dizer sobre Corey.




 
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