sexta-feira, 30 de março de 2012

Um grande passo na selva de Jim Rome


Tradução da coluna do Duff na ESPN:
Duff McKagan diz que ouvir o programa de Jim Rome foi como ouvir um amigo por 17 anos.

Muito de vocês sabem da minha estória pessoal. Você sabe: o cara do rock, chapado, drogas, mais drogas, ainda mais chapado... e então a eventual queda em um hospital. O hospital foi uma chance brutal para mim ter um pico dentro da minha mortalidade. Olá, realidade. Olá, medo. E olá, tentando encontrar alguma coisa lá for a, sem a garrafa, o pó e as pílulas.

“Você bebe, você more”, disse o doutor, depois que ficou claro a possibilidade de eu realmente terminar ali na ala de triagem no hospital de Seattle. Certo. E agora?
Eu voltei pra Los Angeles confuso e aterrorizado. Meu corpo foi espancado e minha mente estava viajando a milhões de milhas por horas. Pânico.

Uma das primeiras coisas que eu tentei foi acordar em um horário um pouco normal. Digo, 7:30 da manhã. Quero dizer, o que é que todo mundo faz? Eles levantam cedo e fazem suas coisas, correto? Exceto meu dia de trabalho que realmente não começava até as 9:00 da noite. Oh, bem, eu teria isso mais tarde.

Uma das coisas que fiz para afastar a balança do “vou/não vou” foi pegar uma mountain bike velha e enferrujada que de alguma maneira estava em minha garagem e pedalar. Por causa do medo que eu tinha de que alguma coisa ruim poderia acontecer se eu não pedalasse (ou seja, bebida!), eu pedalei por loucas oito horas no dia, até estar tão exausto para fazer qualquer coisa, exceto me alimentar (uma romântica ideia) e beber água (algo que eu não fazia nos últimos 10 ou 11 anos). Eu tinha 30 anos de idade e começando do zero absoluto.

Na minha buscar em ser “normal”, ou ao menos tentar, eu comecei a ouvir este programa de radio esportivo com um cara chamado “Rome”. Eu sempre tinha sido um grande fã de esportes, mas mais do peão e do time da casa. Jim Rome trouxe um estilo e juventude ao debate esportivo aqui em L.A. Não foi provincial e sem prisioneiros. Isto foi “punk rock”, se você quiser. Este programa tornou-se o meu foco durante os primeiros dias e meses de sobriedade. Eu ficava entretido pelos “clones”, como os ouvintes e ligantes leais de Rome são conhecidos, e pregado pelos convidados de Rome. O programa se tornou um lugar seguro para temperar a dor e a luta pela qual eu estava passando.

Como resultado, eu ainda ouvi o programa por 17 anos depois e mantenho-o na mais alta conta por algo muito mais além dos esportes. Rome nos leva através das coisas. Coisas como ter filhos. Coisas como nos colocar de bobos em nossas vidas diárias, como um todo, acumulando um caminhão carregado de humor e insinuações. Obrigado, Jim. Obrigado, cara.

E obrigado por nos manter através do 9/11 (Nota: 11 de setembro, atentado ao World Trade Center). Claro, a mídia de todos os tipos desviou de sua programação habitual nesses dias e semanas que se seguiram após o ataque, mas Rome trouxe uma humanidade e emoção que aparentemente falava para todos nós. Foi real, brutal e profundo. Aquelas pausas na radio quando Rome se recolheu foram tocantes, sem palavras.

E mais ao ponto do motivo pelo qual estou escrevendo todas essas coisas bem agora: eu fui meio que em uma blitz de mídia para divulgar meu livro. Fiz o “Good Day LA”, KROQ (e cerca de 30 programas matinais de rock na FM). Fiz entrevistas em jornais diárias e semanais.

Mas não foi até eu estar confirmado para aparecer no programa de Jim Rome na última quinta-feira, que eu estava meio “amarrado”. Quero dizer, inferno!  E se eu fosse um daqueles infelizes que congelam e Rome me cortasse? E se os “clones” me pilhassem? Eu ia fazer esta coisa, não importava como e ao menos tentaria transmitir a Jim o que seu programa representava pra mim.

Nós acabamos tendo uma ótima conversa, ele me deu o tempo para sentar e apenas converser. Ele me fez sentir como se estivesse conversando com um velho amigo, que foi como eu vi de qualquer maneira.

Minha esposa me disse depois que aquele dia eu passei a ter, sei lá, “um bilhão” de novos seguidores no Twitter. Quando fiquei online para ver, eu fui dominado pelos “clones” do programa de Romes. Caras (a maioria) que estavam torcendo por mim de alguma forma. É muito legal ter “Jungle Karma” agora. Faz-me sentir um pouco mais confortável escrevendo sobre esportes aqui.

Ah, inferno… com quem eu estou brincando? Eu não escrevo sobre esportes aqui. Eu escrevo sobre outras coisas. Os heróis. Os lances internos. E sim, meus times de Seattle… que poderiam usar um pouco do Jungle Karma de si mesmo.

Originalmente publicado em 27 de março de 2012: http://sports.espn.go.com/espn/thelife/music/news/story?id=7743670




 
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