quarta-feira, 25 de abril de 2012

Pânico! no terminal


Tradução da coluna do Duff em SeattleWeekly:

                                                 Duff conta sobre como enfrentar os ataques de pânico


Eu acabo de ter um ataque de pânico.

Estou no avião. É menor do que o que estou acostumado. Assim que a porta fechou, minha respiração ficou difícil. Eu tirei meus sapatos, o casaco, e comecei a beber minha garrafa de água.
Beber água, para mim, tira toda a concentração da respiração por um momento e me dá um pouco de segurança.

Eu já pensei em escrever sobre pânico aqui antes, pois sei quantos de nós sofremos com isso.
Eu já pensei em escrever quanto estivesse tendo um, então poderíamos ter uma visão de dentro. Mas quando eu tive esse ataque, eu não podia pensar corretamente para escrever.

Muitas pessoas perto de nós sofrem com algum tipo de desordem do pânico, variando desde leve ansiedade até crises agudas de pânico. Eu sofro desse mal desde meus 17 anos.

Essa pode ser uma péssima experiência, além de fonte de constrangimento. Você nunca sabe quando pode acontecer. E se você estiver num local com vários desconhecidos?
Eles provavelmente vão pensar que você é louco ou está drogado.

À beira do ataque de pânico, seu coração começa a disparar e sua mente começa a ficar lotada com muita informação. Um aperto começa em volta do seu peito, suas extremidades ficam geladas, e você tem necessidade de tirar as roupas pela sensação de sufocante claustrofobia. Não é legal.

Cada um tem diferentes reações que acabam levando aos ataques de pânico. Elevadores, estar dentro de um carro em estradas, andares altos de prédios e outras milhares de experiências.

Inicialmente havia várias coisas que eu não podia fazer por conta da minha aflição; esse é um tipo de problema que acaba co ma auto estima, levando a mais e mais ataques. É um ciclo vicioso que parece ir cada vez mais rápido e fora do seu controle.

Tenho estado apto a controlar um pouco essas situações com a ajuda das artes marcias, mas eu ainda tenho problemas com aviões.

Não é o avião cair e bater que me traz essa sensação – é a claustrofobia de quando as portas são fechadas e eu sei que estou trancado em um tubo do qual não posso sair por um determinado tempo. É totalmente assustador para mim... cada vôo é uma viagem nas meditações das artes marciais e prática de todas as coisas em que tenho trabalhado. Lembre, eu não posso beber ou me drogar.

Estou ok agora. Me sinto melhor. Minhas roupas estão de volta no lugar e a água acabou, mas eu me recuperei completamente.

Por que alguns de nós temos ataques de pânico? Somos mais sensíveis que outros? É por isso que temos esse problema? Será que nosso mecanismo cerebral “voe ou lute” é um pouco mais alterado que o das outras pessoas? Temos menos dopamina ou serotonina que as outras pessoas?
Alguma coisa aconteceu em nossa infância que nos fez ter esses ataques de pânico?

Eu não sei, Eu já ouvi várias teorias diferentes, já tentei explorar todas. Eu sei, entretando, que há tantas pessoas como eu que isso até alivia minha cabeça e não me sinto sozinho nessa. É um conforto saber que não sou “louco” ou qualquer coisa do gênero, e que há um certo companheirismo entre todos nós, correto?

 
Duff McKagan Brasil © 2011-2015