quarta-feira, 4 de abril de 2012

Território recém-descoberto da música


Tradução da coluna do Duff na ESPN:
Nós estabelecemos que este espaço algumas vezes abordaria coisas entre música e esportes. Hoje é um desses dias, quando irei oferecer uma pequena lição de história do rock.
Eu estou acompanhando o ocupado cronograma de esportes. Mas eu tenho minhas informações pela chuva enevoada de feeds no Twitter em meu BlackBerry, na densa floresta tropical costa-riquenha.
A razão? Assim como times esportivos jogam em lugares distantes (como o Mariners no Japão recentemente) e tem que se ajustar a uma atmosfera diferente, bandas de rock algumas vezes viajam pra fora da zona de conforto para encontrar seus fãs. É somente parte do negócio, na música e nos esportes.
No passado, a América do Sul era um destino mal registrado. Nas primeiras poucas décadas de rock and roll, muitas bandas não pegavam o caminho para tocar lá. E a América Central também, poderia ser de outro planeta; sem nenhuma banda de rock britânica ou americana.
Queen foi realmente uma das primeiras bandas a se aventurarem pelo sul. Em algum momento nos anos 80, Freddie Mercury e companhia tomou o passo corajoso em excursionar no Brasil e Argentina. Devo dizer que foi um passo corajoso, porque realmente não havia nenhuma infraestrutura lá para fazer shows monstruosos. Sem palcos. Sem sistemas de som. Nenhum promoter real que se poderia contar. Mas o Queen fez isto e eles fizeram certo, e assim abriu a América do Sul para bandas como Judas Priest, Duran Duran e Guns N’ Roses.
Sim, pelo tempo de GN’R fui lá pela primeira vez em 1991, Brasil e Argetina estavam começando a realmente estarem próximas, e Colômbia, Chile, Venezuela e Paraguai, todos ofertavam para trazer shows de rock para seus países. Acabou sendo que o rock and roll estava próximo de ser grande e amado como é o futebol nestas partes do mundo.
Agora, após esses 20 anos, a América do Sul é uma parada verdadeira para qualquer banda que esteja numa turnê real nos dias atuais. Brasil é uma potência econômica em ascensão, e coisas como enxerto e conluio entre polícia e governo são coisas do passado. Argentina é sólida. Chile tem um dos poucos festivais de nível mundial em seu verão. Colômbia e Venezuela, ambos têm sólida infraestrutura para grandes shows. Peru também.
Mas, e sobre a América Central?
A América do Sul é um inferno de um longo caminho a se percorrer desde o Estados Unidos ou Europa. Um voo partindo de Madrid são 13 horas, e de Miami ao Rio [de Janeiro] o tempo de voo pode ser acima de 10 horas. Um longo, longo caminho. Se você está indo para Ásia para fazer shows, tem a expectativa de ter aqueles longos voos, porque é claro, não há nenhum lugar no meio para tocar. Mas a América do Sul tem terra acima – América Central.
América Central, é claro, tem sua parte de turbulência política. Panamá tem aquela coisa toda do Noriega. Nicarágua tem seus conflitos internos há anos, com a violência estimulada pela economia e política unilateral. El Salvador tem experimentado um pouco de recuperação econômica após 20 anos, e Guatemala, também, tem tido mudanças positivas.
Mas de todos estes países, Costa Rica tem sido uma espécie de “lugar favorito para ir nas férias” para o resto do mundo, e agora Costa Rica está rapidamente se tornando a parada favorita das bandas de rock também.
Abril é um grande mês para mim de todas as malditas formas. A coisa do Rock and Roll Hall of Fame em Cleveland no dia 14. Uma leitura do livro “It's So Easy (and Other Lies...)” em Cleveland House of Blues uma noite depois. Eu estou indo excursionar pela América do Sul logo após isso, por 20 dias. Mas antes de tudo isto, era tempo de fazer alguns shows de rock aqui na Costa Rica nesse fim de semana passado. Uma espécie de férias de primavera e rock and roll com a minha esposa, filhas e eu... juntamente com a minha banda, Loaded, e Shadow, a velha banda (recentemente reformulada) de Mike McCready do Pearl Jam.

Esta viagem a Costa Rica seria a primeira para mim e também serviria como uma ótima chance de ver como é a infraestrutura local – para locar amplificadores Marshall ou bateria ou qualquer outra -  em tempo real. Eu gostaria de reduzir o tempo de voo para a América do Sul em turnês futuras, e realmente ter mais shows pelo caminho é apenas um bom negócio.
No entanto, a grande pergunta era: Alguém vai aparecer? Os ticos (gíria para os nativos de Costa Rica) gostam de rock?

Resposta: Sim. A prova estava na linha entre o bloqueio e como nossa van foi puxada pra cima e pros lados no clube. Isso é sempre bom, quando você vê um sinal de “ingressos esgotados” para duas bandas que ninguém realmente sabe muito a respeito. Como eu chequei a cena, esses ticos foram muito animados para ter a chance de ver o que nós estávamos para fazer lá.

Próxima semana? Um relatório de Cleveland.

Originalmente publicado em 04 de abril de 2012: http://sports.espn.go.com/espn/thelife/music/news/story?id=7775840

 
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